Inktober 2017: mil beijos, mil sentimentos

Já ouviram falar do Inktober, não? É um desafio proposto inicialmente por Jake Parker em 2009 com o propósito de desenhar durante todos os dias do mês de outubro. A partir daí o desafio se popularizou, novos temas surgem a cada ano, além da lista oficial.

Ano passado participei do desafio mas não segui nenhuma lista, fui fazendo aleatoriamente, apesar de ter parado no dia 23 por causa de alguns problemas pessoais.
Pois bem, esse ano decidi criar uma listinha para seguir, finalmente! E me peguei pensando em ilustrar algo relacionado com o sentimento humano, afetos. Talvez seja porque estou nesse mood ultimamente (acho que é o prelúdio para o meu aniversário!).
Então decidi ilustrar beijos, por ser um tipo de expressão de afeto bem comum (duh!) e também para treinar um pouco como seria ilustrar beijos nas mais variadas situações.

inktober2017

Queria também esclarecer algumas possíveis dúvidas que podem aparecer.

1.
Acabei definindo o 1º, o 2º , o 29º e o 30º dia como sendo específico para desenhar casais homossexuais, mas isso é válido também para os outros dias se assim desejar.
O mesmo vale para as pessoas tatuadas no dia 24, essa característica pode ser desenhada nos outros dias também, é só nesse que tem que ficar mais evidente.

2.
Sobre o dia 10, com a cena de sexo, não é necessário super evidenciar o ato (a menos que você queira de alguma forma), mas né, fiquem atentos às diretrizes das redes sociais que vocês irão postar para que não denunciem (Facebook costuma ser bem enjoadinho com isso.).

E é isso.
Coloquei também a hashtag #inkbeijos pra que todo mundo possa ver o desenho de todo mundo (quero muito ver, ahhh!!) .
Caso tenham mais dúvidas, só comentar aqui embaixo que responderei a todos! 🙂

~ Mona

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Minhas ilustradoras e artistas coreanas favoritas

Ter ido para a Coreia do Sul me abriu muitas portas no quesito arte. Enquanto estagiava, minha chefe levava eu e os outros estagiários para várias exposições, muitas delas que eu nunca tinha ouvido falar não eram nem em Seul, normalmente ficavam nas cidades vizinhas, como Gwangju e Goyang (essa última fazendo fronteira com a Coreia do Norte). Mas conheci vários artistas incríveis também na internet, mais precisamente no Facebook e no Instagram. Gosto muito da linha que a maioria deles segue, muitos trabalham em cima de um tema e continuam criando arte ou projetos de design em cima disso ao invés de fazer de tudo um pouco (como um certo alguém aqui haha!). Eis aqui as minhas ilustradoras favoritas porque hoje quero focar nas minas então vamos lá!
  1. Haenuli
    Haenuli é fashion designer, possui sua própria loja de roupas no estilo Lolita, mas é também ilustradora. Talvez você já tenha visto as ilustrações dela retratando uma moça e um esqueleto representando a morte. Ela disse que criou essa série para poder lidar com a sua depressão através das mensagens que passa.
    Acesse o facebook dela aqui: https://www.facebook.com/haenuliartworks/ 
    haenuli
  2. Henn Kim
    Acho que todo mundo já viu as artes da Henn Kim por aí, especialmente pelo instagram. Seu foco são ilustras minimalistas, em preto e branco e bem expressivas, porém um tanto misteriosas, retratando os sentimentos mais profundos do ser humano, talvez seja por isso que à primeira vista elas podem não fazer algum sentido. Acho muito difícil que não haja alguém que já tenha visto seu trabalho e não se identificado com pelo menos uma de suas ilustras.
    Confira aqui o Instagram dela: https://www.instagram.com/henn_kim/
    henn-kim
  3. 9sheep/ Kim Gyuyang 
    Cruzei pela primeira vez com as artes da 9sheep no Facebook, e realmente me chamaram a atenção pelo fato de fugir do estereótipo fofinho/realista que muitos artistas coreanos possuem (notei que muitos focam na técnica, principalmente voltados para a criação de personagens para quadrinhos, games e animação), mas ela sai totalmente desse contexto. Suas ilustras são mais macabras e fantasiosas, quase como um filme de terror, inclusive a escolha das cores ajuda ainda mais a criar essa ideia. É incrível.
    Instagram: https://www.instagram.com/9sheep
    9sheep-1
  4. Hye Kang
    A arte da Hye Kang é bem característica e fácil de saber que é sua. Tons pastéis, dando uma ideia quase que mágica para a arte, aliado à cultura tradicional coreana. Muitas de suas mulheres retratadas estão sempre usando o hanbok (한복), vestimenta tradicional coreana, hoje muito usada em casamentos e cerimônias importantes, além de haver a predominância da cor rosa em todas as suas ilustras, além de elementos como rosas e flores de cerejeira, simbolizando como se eternamente fosse primavera em sua arte.
    Acompanhe-a no instagram: https://www.instagram.com/hyyekang
    hyyekang
  5. Yoo Subin
    Garotas expressivas (e aparentemente um tanto cansadas) compõem o sketchbook da Yoo Subin. Suas garotas são ora delicadas e graciosas, ora com expressões indecifráveis.
    Instagram: https://www.instagram.com/sss_biiin
    yoo-subin
  6. Juliette Kim
    “Juliette” Nahyeon Kim é designer gráfica, ilustradora e honestamente, minha designer favorita! Seu trabalho consiste em branding, packaging e impressos e na arte; ilustrações em aquarela voltadas ao público infantil. Sua paleta de cores também consiste bastante na cor rosa, além disso refletir também na sua personalidade, no seu modo de vestir e de viver, já que muitas de suas fotos sempre possuem fortes elementos dessa cor.
    Acompanhe-a no behance: https://www.behance.net/Juliettekim
    juliette-kim
  7. Hyuna Lee
    Os trabalhos de Hyuna Lee são todos digitais, em contraste com a maioria dos apresentados aqui. Suas ilustras remetem muito à infância e personagens da Disney, então é mais que notável que o seu foco é a animação e criação de personagens.
    Behance: https://www.behance.net/alee2419a
    hyuna-lee
  8. Sehee Chae
    Minha conterrânea coreana! Cores vibrantes, garotas sendo o foco da arte, elementos ligados à natureza e ao dia a dia, fantasia e ilustras sem contorno são o que definem à primeira vista o trabalho de Sehee Chae. Ela inclusive já fez a capa do terceiro mini-album da girl group coreana Oh!My Girl.
    Behance: https://www.behance.net/seheechae
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  9. Mihye Hwang
    Outra conterrânea minha!  Mihye Hwang também é artista digital mas suas ilustras contam as belezas do dia a dia, das imaginações infantis e a simplicidade da vida. Sem contar que a sua técnica com aquarela e materiais mistos são de tirar o fôlego.
    Instagram: https://www.instagram.com/mihye124/
    mihye-hwang
  10. Stella Cho
    Me encantei com a precisão e o cuidado do trabalho da Stella Cho desde a primeira vez que os vi. Produzidos principalmente em aquarela, todos são bem detalhados. As flores e a temática ligada à natureza prevalecem, assim como uma leve presença da magia e a fantasia. Mas o detalhe com que cada parte do desenho é feito foi o que mais me atraiu, me peguei hipnotizada!
    Confira o Facebook dela: https://www.facebook.com/chostella0223/
    stella-cho
  11. Nayoung Wooh (Obsidian)
    Já imaginou as princesas Disney sob uma perspectiva coreana? Pois foi isso que Nayoung Wooh, aka Obsidian, fez. Sua motivação em criar novas perspectivas fez nascer as ilustrações das princesas dos contos de fada com um contexto coreano, refletindo-o através das vestimentas. Ela diz que depois desse projeto, o feedback foi grande, já que as pessoas a diziam que conseguiam se identificar nas ilustrações, motivo que a fez mudar seu ponto de vista sobre seu próprio trabalho e olhá-lo com mais seriedade e cuidado.
    Muitos de seus trabalhos estão no Twitter: https://twitter.com/00obsidian00
    obsidian

Chance

2017-01-14 12

Ela estava decidida a ter uma semana incrível. [Tentar] Começar tudo de novo. Não ia deixar mais a auto estima cair num nível abaixo dos seus pés e fazer com que todos os seus planos, ideias e opiniões sobre si mesma se esmorecessem diariamente duma forma cruel como acontecia quase todos os dias. Não mais.
Começou por desativar todas as notificações das redes sociais do celular. “Só vou ver quando lembrar de ver, ou seja, quando tiver tempo sobrando” pensava. E sabia que tempo era algo que raramente tinha, já que trabalhava tanto que quando realmente tinha tempo para si, só queria ficar quietinha na cama prestes a pegar no sono para no dia seguinte repetir tudo outra vez.
O primeiro dia foi um pouco difícil, a vontade de checar as redes sociais era um hábito, e é como dizem, velhos hábitos são difíceis de morrer [old habits die hard]. Mas o chefe decidira dar bastante trabalho para ela nesse dia, então desligar-se de tudo acabou sendo algo automático.
E assim foi durante toda a semana. Não checava mais nem Instagram ou Twitter. Facebook já tinha abandonado uns meses atrás, então não contava. Whatsapp e Kakao apenas para responder alguns amigos e a família, inofensivo.
Porém, no sábado ela se lembrou dele. Já tinha um tempo que não se falavam, ambos muito ocupados, ossos da vida adulta. Mas queria ver o que ele andava fazendo, quais projetos estavam em andamento. Então, quando estava em um barzinho à noite, tendo apenas a si mesma como companheira, mandou uma mensagem para ele, mas a resposta não foi assim tão instantânea e ele parecia disperso. “Ando muito ocupado, então tá difícil responder todas as mensagens, mas quando eu ficar mais de boa poderemos conversar de novo.
Ela entendeu. “Tudo bem, mas saiba que tô com saudades!“. Porém algo fez com que a insegurança batesse à sua porta novamente. E ela, involuntariamente, abriu. A primeira coisa que fez foi checar as redes sociais dele. Foi lendo conversas, vendo fotos, e por fim xeretando em likes que ele dera em outras pessoas. Outras meninas. Olhava as fotos delas, eram lindas, poderosas, apaixonantes. A boca começou a secar e o ar de seus pulmões se esvair. O coração palpitou mais rápido que de costume e ali se instalava um pequeno ataque de ansiedade.  Aquele pequeno clique dos dedos teve o poder de acabar com toda a auto estima que ela vinha construindo nos últimos dias. Pediu uma cerveja no bar e foi para fora para respirar e com sorte, não desmaiar. “Comparação é uma merda.“. Bebeu um gole da cerveja e voltou para o bar. Decidiu dar-se uma pequena chance àquele resto de dia.

Estufa

Senti vontade de escrever aqui. Ainda não sei bem o que dizer dele, é um lugar antigo, porém como quase não entro aqui, me parece novo, diferente, incomum. Mas quero que ele me seja familiar como o meu quarto de criança em que vivi até os meus 17 anos. Onde eu tenha guardado tantas memórias e onde eu possa ser eu mesma sem me incomodar com o mundo lá fora. Falam que é ruim viver na bolha. Concordo. Mas se essa bolha te traz a sensação de você pode sim dar o melhor de si e florescer em algo incrível, ela é na verdade uma estufa, onde se cultiva o melhor de ti. Se transformar em si mesmo deveria ser em um lugar aconchegante, cercado de carinho e cuidado que você emana para si mesmo. Onde a sua boa energia deve voltar para si. Um cantinho onde você aprenda a se amar por completo.

As luzes de Osaka

Tokyo era incrível, mas infelizmente eu não aproveitei o quanto gostaria, principalmente depois dos ataques de ansiedade, ainda estava com pé atrás. Mas fiquei ainda mais nervosa quando o dia de ir pra Osaka estava chegando.
Não, não era medo da cidade nem nada. Mas é que em Tokyo era o único lugar onde eu conhecia alguém e caso me acontecesse algo, eu poderia contar. Mas em Osaka eu estaria completamente sozinha e dependente de mim mesma e da boa vontade dos outros.
Ainda assim, tive que partir.
Pela primeira vez peguei o Shinkansen (o famigerado trem-bala), e aproveitei o tempo para curtir a viagem, relaxar um pouco, ficar no meu cantinho e apenas observar – que é o que eu acho que faço de melhor. Os trens tem um horário certinho para passar, então eu descolei uma tabela dos horários deles para me orientar (sério, melhor aquisição da viagem, apesar de ser dificil de usar no inicio).
Cheguei em Osaka no meio da tarde mais ou menos, e segui direto para o meu hostel. Uma coisa boa era que o hostel em que eu fiquei era infinitas vezes melhor que o de Tokyo e mais bem localizado, além de ser um hostel feminino e os quartos serem bem melhores, mas as camas continuaram sendo um futon em beliches!!!
Botei na minha cabeça que o resto daquela viagem iria ser incrível, então me esforcei para isso.
Fiquei na região de Minami, bem pertinho da rua Dotonbori e da estação de metrô Namba, uma região bem badalada e iluminada, um distrito muito visado para compras e comida. Falando em comida, jantei um takoyaki maravilhoso em Dotonbori, tava morrendo de saudades de comidinha de rua, algo que não fosse de lojinha de conveniencia e esquentado no microondas.
Por incrível que pareça, apesar de ser um lugar bem movimentado, eu me senti bem confortável e de boas, mesmo estando sozinha, pois pude ver tudo o que gostaria no meu tempo e ritmo.
O hostel era bem mais agradável do que o que eu tinha ficado anteriormente, além de ele ser um hostel feminino. Conheci lá a Silvia, uma italiana de ascendência chinesa que estava fazendo sua volta ao redor dos continentes antes voltar pra casa e retomar os estudos. Sua próxima parada seria o Havaí, infelizmente no dia seguinte, mas pelo menos pudemos conversar bastante na noite anterior. Acho que essa é uma das coisas boas de viajar sozinho, as pessoas têm bem menos medo de aproximar de você pra começar uma conversa ou uma amizade, até porque é bem menos intimidador. Foi assim que fui começando a gostar um pouco da solidão em terras realmente estrangeiras.

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O ciclo vicioso do bloqueio criativo

Ando sofrendo desse mal agora. Não exatamente aquele bloqueio criativo onde absolutamente nada sai, mas aquele que faz você pensar que as coisas que você faz não são tão boas ou que não tem a ver contigo. É horrível, eu sei. Na real eu não sei dizer o que tá interferindo tanto nisso. Veja bem, anos atrás eu só queria sentar na minha cadeira e ficar no meu cantinho desenvolvendo minhas idéias, independente dos recursos que eu fosse precisar pra isso (se fosse aprender muitas técnicas pra chegar no resultado desejado, se fosse ter materiais melhores, mais aprendizado, etc.) a ideia saía, meio torta aqui e ali, faltando algumas folhas de papel ou algum recurso do Photoshop – anos atrás eu não manjava muito disso, usava o que tinha. Mas hoje parece ser diferente. Não sei se é porque tudo isso hoje na minha cabeça teve que ser levado mais a sério, já que é a base da minha profissão e por isso a pressão (interna, principalmente!) é maior. Aquele sentimento de que tudo deve ser perfeito, sem erros, com técnicas maravilhosamente estupendas, em suma “coisa pra inglês ver” faz perder o brilho que a gente tinha ao criar tudo espontâneamente, talvez a origem do bloqueio seja essa. A pressão pra arranjar um trabalho e ser tão boa é tão grande, tão necessária, mas que consome tanto. Sei lá, coloca a gente num labirinto onde questionamos a nossa própria habilidade que levamos tanto tempo pra desenvolver e apreciar e em questão de segundos já destruimos tudo isso, todo esse esforço. Toda hora eu fico me questionando o por quê de por em prática as ideias que tenho, porque um lado da minha cabeça insiste em me dizer que isso não vai me levar a lugar nenhum e que eu não gosto tanto assim disso. E o pior é que eu me convenço muito facilmente disso. A mente trabalha duma forma assustadora ás vezes. Enfim, o pouco que consigo fazer pra combater isso (é um processo mais árduo do que podem imaginar, cada um tem o seu jeito de lidar com o bloqueio criativo, até porque há inumeras razões que podem originá-lo) é ficar sempre perto do meu sketchbook e das minhas coisas de arte, pra dar uma rabiscada no papel sempre que dá vontade. Só quero (re)aprender agora a me julgar menos.

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Asakusa Sensoji & Tokyo Tower – [Japão]

Enquanto estive de molho no hostel, procurei alguns lugares menos comerciais pra visitar (leia-se sem ser um shopping center ou algo do tipo). Um dos mais recomendados era o Asakusa Sensoji Temple, perto da estação de Asakusa, que na real me levou um tempinho até descobrir como chegar lá sem gastar o dobro de passagens já que eram linhas diferentes (até hoje não entendi direito!).
O Sensoji Temple é o mais importante e antigo de Tokyo, construído em 645 d.C. e apesar de ter sido destruído pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, foi reconstruído, simbolizando o renascimento para os japoneses.
Na entrada damos de cara com uma lanterna gigante e linda, conhecida como Kaminarimon e embaixo dela há um dragão esculpido em madeira.
Em seguida há a Nakamise-dori (仲見世通り), uma rua com aproximadamente 250 metros de comprimento que possui 89 lojinhas de lembrancinhas, comidas e variedades, em sua maioria relacionadas com o templo e a cultura japonesa (foi lá onde comprei vários postais ❤ ). No caminho encontrei uma excursão escolar (creio que do ensino fundamental), muitos turistas (sério!) e muitas mulheres vestindo yukata, uma vestimenta tradicional japonesa muito parecida com o kimono, de cores claras e estampas florais, apropriada para o verão.
Na frente do templo havia um caldeirão de incenso, onde as pessoas se purificavam antes de entrar no templo. Lá dentro havia também os omikuji (sortes aleatórias escritas em papel) que podiam ser retiradas depois de uma pequena oferenda.
O templo é realmente incrível. Mesmo eu não sendo budista nem nada, a arquitetura dele me impressionava, além das cores vibrantes e das pinturas no teto e nas paredes. Apesar de ter muita gente lá, eu me sentia em paz, muito melhor do que nos dias anteriores.
Ao lado do templo há um jardim japonês, que aparentemente poucas pessoas se interessaram em visitá-lo. Por sorte eu precisava de um lugar pra sentar um pouco (e lanchar) e o encontrei. Além disso havia uma construção menor, onde uma mulher se arrumava para um ritual ou evento, mas não descobri qual era.

No dia seguinte fui encontrar uma amiga brasileira que já morava lá há um ano. Demos uma volta em Akihabara, principalmente em um prédio que havia muitas coisas para fãs de anime, mangá e cosplay. Fiquei tentada em comprar uma roupa de colegial colorida mas não o fiz. Hoje me arrependo. Se eu não me engano, naquele mesmo prédio também funcionava um café do AKB48 ou algo do tipo, mas não estava aberto.
Depois fomos jantar e em seguida partimos para a Tokyo Tower. Em toda cidade que visito gosto bastante de ir em lugares bem altos para apreciar a vista. Acabou meio que virando uma espécie de ritual, mas eu gosto de ter um overview das coisas, fora que a vista do alto é sempre incrível.

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Appreciation post – Koenji-ku, Tokyo

Esse é um post apenas voltado para a apreciação visual. Puramente. Mas eu vou escrever um pouco também.
Koenji-ku foi o bairro onde eu fiquei durante a minha estadia em Tokyo. Pra ser sincera eu não sei nada sobre o local, fiquei no hostel que alguns amigos me recomendaram. Mas pra ser sincera? Eu achei o local super agradável e inspirador. Ele tem aquele visual saído das páginas de um mangá e nada a ver com os locais super turísticos e abarrotados de estrangeiros (como eu, rs.). Não gosto muito de muvuca, de multidão, então andar por esse local durante o meu dia vago (na real eu estava meio doente então não conseguia ir muito longe) foi bem gratificante e relaxante. Andei por varias lojinhas numa rua coberta, perto do metrô, inclusive encontrei uma cheeeeia de coisas da Sailor Moon (amo!), levei um jogo de hashis pra casa que estavam muito lindos e alguns presentes pras amigas.
Foi um passeio bem agradável, gosto bastante de andar a esmo por aí, sem pressa nenhuma, porém com lenço e documento né.

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O que eu tô fazendo da minha vida???

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Spoiler: nada.
Nada mesmo, apenas sobrevivendo como qualquer outro ser humano milhares de anos atrás nas cavernas. É isso.
Todo mundo fala que nesses casos, quando a gente não sabe o que quer da vida, o ideal é ir tentando fazer o que se gosta, mesmo que seja um hobby apenas. Mas não tá sendo assim.
Eu já tive vários hobbies e interesses, muitos relacionados à arte e letras, mas hoje não é mais assim. Nem sequer consigo me focar em alguma coisa por um longo tempo, porque qualquer coisa do meu lado me distrai, principalmente se essa coisa for o meu celular. E eu não consigo ter prazer fazendo algo que não me interessa muito e que não tem toda a minha atenção.
Fico pensando constantemente o quanto eu mudei muito de alguns anos pra cá; hobbies, ideias, valores, tudo. E ultimamente isso não tá se encaixando com o que eu tenho em mãos para fazer. Porque não condiz mais com quem eu sou, ou com quem eu tô descobrindo ser. Isso vale também para as pessoas que quero ao meu redor e até com as tranqueiras que me rodeiam diariamente no meu quarto. Não sei se cada coisa disso emana uma energia, mas se for isso, ela tá espalhada de um jeito que eu não consigo me localizar em mim mesma. E eu não consigo conviver com algo ou alguém que me incomoda de alguma forma.
Talvez seja o fato de eu conviver com pouquíssimas pessoas ao meu redor, fisicamente não passa de três. Dois deles são invertebrados. O outro vê-se esporadicamente. Então não há aquele contato, aquela inspiração que uma pessoa passa à outra e acaba nesse marasmo todo. Mas não posso cobrar nada de ninguém, porque cada um tem a sua vida e eu não posso fazer todo mundo se encaixar nos meus horários só porque tenho mais tempo livre do que deveria. E acaba o interesse nas pessoas também.
Eu me formei tem pouco tempo, mas com aquele ar de “obrigação”, de “só acabei porque já tava no fim mesmo”, porque talvez não teria continuado se pudesse. Não sei nem como encarar essa área agora daqui pra frente porque não parece ser ela que vai preencher uma parte do meu vazio existencial. Mas não arriscar também é ruim.
Tem dias que eu só queria uma casinha mais ampla, bem iluminada e com pouquíssimas coisas, mas das quais eu gostasse e precisasse bastante. Em outros eu gostaria de estar nas montanhas vendo o outono chegar e fazer a minha arte como de costume. Num último caso queria estar numa cidade bem movimentada e cheia de informação para ficar deslumbrada com tudo aquilo. Mas no final das contas só estou num pequeno quartinho silencioso (às vezes) tentando organizar incessantemente tudo ao meu redor e torcendo para a minha estante não despencar na minha cabeça enquanto durmo.
Motivação que falta pra esse lado de cá. Houve um tempo em que eu fui cercada de várias coisas das quais gostava, mas agora não gosto mais de nada disso, então tenho que descobrir tudo outra vez do que gosto, do que não gosto e não deixar sensações momentâneas interferirem nisso, mas não é uma tarefa fácil, tampouco curta. Tudo acaba caindo num longo ciclo vicioso, e parece não ter uma saída, pelo menos não uma muito visível. Só me resta saber lidar com ela e tentar bolar um plano melhor daqui pra frente. Mas para mim mesma, não para mãe ou pai, ou amigos. Porque eles são eles, não são iguais a mim (graças aos céus!) e a única pessoa que sabe o que é bom pra mim sou eu mesma, mais ninguém.
Agora só quero saber quanto tempo vou ter que aturar disso tudo, porque o tempo passa e eu, como uma péssima motorista sem habilitação não tenho o controle dele de forma alguma, principalmente se for pro meu benefício.

P.S.: É bem provável que eu vá escrever mais sobre isso em breve, a tortura ainda não acabou.

Sei lá o que é…

Nesse exato momento, às 03:09 da manhã eu estou sendo multitasking e rabiscando no sketchbook ao mesmo tempo que escrevo isso. Nem sei porque tô fazendo isso, só me deu um pouco de vontade. A realidade é que eu venho tentando de várias maneiras externar o que está espremido, implodindo na minha cabeça mas eu nem fazia ideia de como fazer isso. Aliás tô é atirando pra tudo quanto é lado: desabafando um pouco nos posts não-tão-sutis-ou-discretos no facebook, reclamações explícitas no twitter, lamúrias desconexas no tumblr e uma enxurrada de lágrimas no caderninho de cabeceira do lado da minha cama. Se você esperava que esse texto fosse sobre um grupo no qual talvez você se identifique, enganou-se. Isso é sobre mim e para mim. Mas não impede que você se identifique de alguma forma. Ou algum amigo ou amiga sua. Prossigamos.
Desde que eu cheguei totalmente atordoada ao Brasil ano passado, eu não conseguia de forma alguma voltar à vida normal, porque por alguma razão (eu sei o motivo, é que são muitas coisas) eu não me encaixava mais no tipo de vida que eu levava antes de partir. A maioria das pessoas que eu conhecia não cabiam na minha vida mais, e provavelmente nem eu na delas. É um saco concluir isso, mas é a verdade. Eu não me sinto nem um pouco culpada em clicar no “desfazer amizade” do perfil do Facebook de alguma pessoa porque eu já não sinto mais aquela conexão com ela. Talvez eu nunca tenha sentido, só a mantinha ali por meras formalidades, mas não quero mais essas formalidades, até porque formal é algo que eu não sou e nem desejo ser.
Outra coisa é justamente o resultado disso, a falta de pessoas. Consequentemente elas vão sumindo da minha vida. Fazer o quê né? Acontece. Mas dói um pouquinho saber que nunca fiz tanta importância assim na vida delas, de alguém que você talvez tenha se doado tanto. Mas se eu tô deletando esse povo todo, é porque o sentimento é mutuo, o sentimento de não me importo tanto assim contigo. Mas okay, vida que segue. Frase que faço questão de sempre lembrar.
O fato é que eu apenas queria alguém aqui do meu lado como uma amiga pra todas as horas, uma bff mesmo. Não me entenda mal, ter bffs virtuais é ótimo, eu amo todas elas. Mas para uma pessoa extremamente insegura e introvertida como eu, isso não basta. Não é a toa que os meus demônios datados de 2005 ainda permanecem aqui depois de um período de férias enquanto eu estive fora. Não é fácil lidar com esse turbilhão já que tudo o que vivi lá fora entra em conflito com o que eu sempre fui por condição social. A vontade de destruir essa condição social é muito grande, mas o medo e a incerteza também é. Do quê? Não sei, de tudo e de nada ao mesmo tempo. Tudo e nada fazem sentido ao mesmo tempo. É incrivelmente bizarro como eu consigo ser contraditória comigo mesma. Eu quero conhecer pessoas mas não sei como estando sozinha – São Paulo não foi feita pra fazer amigos, aqui é tudo puro business – mas a minha zona de conforto que é ficar de pijama e pantufas brancas em casa jogando The Sims 4 me puxa pra não fazer essas coisas, porque ela quer me convencer de que ficar em casa é muito melhor. Eu gosto dos dois, mas assim fica difícil. A falta de confiança nas pessoas contribui pra essa preguiça interna também, não é nada fácil pra alguém como eu confiar nas pessoas. Você pode ser a pessoa mais legal do mundo comigo mas eu ainda vou ficar com um pé atrás por um bom tempo mesmo, coisa de anos provavelmente, dependendo da nossa convivência.
Eu disse no título que esse texto seria desconexo, até porque eu mesma perdi o fio da meada, escrevi tudo duma vez mesmo, enquanto cantava algumas musicas coreanas e fazendo a coreografia delas mesmo estando sentada na cadeira. Multitasking.
A propósito nem comecei o desenho.