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Quando a ansiedade bate no meio da viagem

Infelizmente isso aconteceu. Quando eu estava a alguns poucos dias de ir finalmente para o Japão, comecei a sentir umas leves pontadas no peito e dificuldade pra respirar. Não dei muita bola, já que estava preparando tudo para a viagem e para mudar de apartamento (tinha que levar algumas coisas pra lá antes de viajar). Porém quando cheguei em Tokyo foi um desastre. Na verdade ainda no voo, apesar de ser apenas 2 horas de voo entre Seul e Tokyo, foi tempo suficiente pra eu começar a passar mal e não saber o que fazer sendo que eu não sabia direito o que estava acontecendo. Eu, muito introvertida, não falei nada para ninguém no avião e fui aguentando isso só. Porém estava com esperanças de pisar em terra firme e essa sensação passar, já que parte dela era fome, tinha ficado muito tempo sem comer por causa da correria.
Dito e feito.
Ficar me movimentando era bem melhor do que ficar parada e sentada no avião. Porém outro dilema: tinha que pegar um ônibus do aeroporto até Tokyo Station, para aí eu ir até o hostel. O motorista foi muito gentil, cumprimentando a todos que entravam no ônibus calorosamente. Eu me senti melhor assim e sentei bem na frente, perto da porta. Mas aí o mal estar começou novamente, só que o meu corpo todo começou a formigar e eu não sabia o que tava acontecendo. Mais 1 hora de viagem até Tokyo Station. Só queria chegar logo no hostel. No caminho tive várias pessoas que me ajudaram, desde o guarda do metrô que me ajudou a achar o caminho certo pro meu destino até o menino que me perguntou (em inglês!!!) se eu precisava de ajuda e mesmo eu estando bem perto do meu hostel, ele foi comigo até a porta. Muito fofo ❤

I was so happy…~ #Japan #Tokyo #TokyoStation

Uma foto publicada por 모나 (@hasenmona) em Jul 1, 2015 às 10:34 PDT

O mal estar causado pela fome passou depois que comprei algo pra comer na lojinha de conveniência no final da rua, mas no dia seguinte a história foi outra. Logo quando eu acordei comecei a me sentir mal, sem respirar direito e achando que algo muito sério estava pra acontecer. Queria muito sair da cama e ir ver a cidade, aproveitar o pouco de férias que tinha restante, mas estava com tanto medo de passar mal no meio da rua e não saber o que fazer nessa situação que acabava ficando no hostel mesmo, por segurança. Nesse meio tempo eu falava constantemente com os meus pais pela internet. O que me ajudou muito foi isso: falar com eles e saber que isso que tava acontecendo comigo não era tao sério (ou seja, eu não tava de fato morrendo, tendo um ataque cardíaco como achava que estava)  quanto eu pensava e aos poucos a ansiedade foi passando e eu fui conseguindo controlá-la. O que eu queria era aproveitar o meu tempo lá, já que na Coreia, o estagio me aguardava. Confesso que a hospedagem não ajudou, já que as camas não eram confortáveis (eram futons em beliches) mas pelo menos a região em que o hostel estava era agradável e boa pra ver o dia a dia das pessoas. Eu tive também a ajuda de uma brasileira que conheci lá, era bom ter uma conterrânea por perto, pra me mostrar um pouco da cidade e do dia a dia no Japão. Mesmo ela me dizendo que hospital no Japão é caro, ainda mais pra estrangeiros que não tem nada além do visto de turista lá. É nesses casos que um seguro saúde serviria muito bem. Aliás é pra isso que ele serve mesmo. Ela me recomendou também telefonar para a embaixada brasileira. Eu acabei não fazendo isso porque sou teimosa e honestamente tinha um pinguinho de esperança de que isso passasse logo. Mas é altamente recomendável ter o telefone deles no país em questão nos seus contatos, afinal nunca se sabe né. E o que eu fiz? Como eu não tinha assistência médica nenhuma lá, o jeito foi tentar me convencer de que lá fora não seria tão ruim como eu pensava, na verdade seria muito melhor do que se eu ficasse numa cama desconfortável embaixo do ar condicionado me culpando (sim, eu me sentia assim, afinal tinha investido muito nessa viagem). Eu estava em um país diferente, então o mínimo que eu podia fazer era aproveitar um pouco daquilo. Foi muito importante pra mim também ter apoio dos meus pais e dos meus amigos, mesmo estando longe deles. Apoio é tudo. Outra coisa que ajudou também foi o fato de o Japão ser um país seguro, de que não precisa ter medo de andar na rua durante o dia ou à noite. Isso foi me deixando mais confortável também. Mas atenção: isso foi uma medida temporária, eu não sabia lidar com aquilo que estava acontecendo e essa foi a saída que achei. O ideal é procurar um médico logo assim que você voltar de viagem. Manter-se hidratado e bem alimentado pode parecer irrelevante dizer, mas ajuda muito nessas situações. Eu sempre carregava comigo uma garrafa d’água e outra de pocari sweat (um tipo de gatorade de lá) e algumas coisas para beliscar na rua. Se for difícil ir para lugares muito distantes, por medo de algo aconteça enquanto se está longe do hostel, o ideal é dar uma volta no bairro onde você está ficando, para se acostumar com um pouco da cidade e também para não ficar sempre dentro de algum estabelecimento fechado. Pra mim, estar ao ar livre ajuda pra caramba nessas crises. O mal estar foi melhorando ao longo dos dias quando eu estava de partida para Osaka, apesar de estar com um pouco de medo de passar mal por lá, ja que lá eu nao ia ter nenhum conhecido por perto. Aí eu teria que me virar. A sorte foi que as minhas expectativas para Osaka estavam altas e eu ficaria mais focada na viagem, me fazendo deixar a ansiedade um pouco de lado, o que é bom também. Distrações são boas nesse caso. Por isso quando for viajar, é bom sempre ter conexão fácil com a internet, caso você esteja viajando só. Assim caso precise conversar com alguém, pedir ajuda, vai ficar mais fácil. Outra coisa: fazer amizades no hostel também é muito bom. Quem sabe você não descola uma companhia pra passear contigo durante os dias da sua viagem? Além de ganhar um novo amigo ou amiga, não passa a viagem toda só. Em tempos de ansiedade, é sempre bom ter um ombro amigo, mesmo que a sua intenção, inicialmente, seja viajar sozinho. Caso tenham uma experiência similar ou dúvidas, não deixem de postar nos comentários! Ajuda é sempre bem vinda! 😀

Uma foto publicada por 모나 (@hasenmona) em Jul 8, 2015 às 2:10 PDT

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2 comentários em “Quando a ansiedade bate no meio da viagem

  1. Mona vc sabe que tive experiencias semelhantes quando estava prestes a voltar para o Brasil e quando cheguei no Brasil. Entendo perfeitamente o q é sentir cada sintoma q vc disse, talvez por isso também eu não goste de viajar totalmente sozinha, afinal a insegurança anda de mãos dadas com a ansiedade! Não tenho crises há um bom tempo já mas sempre procuro me alimentar de forma saudável, ter comida e agua sempre ao acesso e praticar exercícios, porque isso tudo foi o que principalmente me ajudou a controlar a ansiedade! E a terapia como eu já te indiquei, aprendi tecnicas de respiração e aprendi que a ansiedade pode ser uma qualidade quando controlada, o que me motiva a ser a eficiente no trabalho por exemplo! Mas enfim alem desses conselhos o que eu te digo é que vc pode sim superar isso pq vc é melhor do que a crise de ansiedade, basta acreditar nisso e se manter em movimento sempre. Um beijo!!

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    1. E isso aí! Eu sou uma pessoa muito sedentária e o meu trabalho também não ajuda muito já que ele é feito 100% na frente do computador. Mas alimentação saudável e exercícios, mesmo que algo leve como caminhada ou andar de bike, ajudam bastante. Sei que varia de pessoa pra pessoa, mas movimentar o corpo ajuda mais do que ficar parado, ainda mais quando tendo crises. Um beijo pra vc tbm!

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