Contos

Chance

2017-01-14 12

Ela estava decidida a ter uma semana incrível. [Tentar] Começar tudo de novo. Não ia deixar mais a auto estima cair num nível abaixo dos seus pés e fazer com que todos os seus planos, ideias e opiniões sobre si mesma se esmorecessem diariamente duma forma cruel como acontecia quase todos os dias. Não mais.
Começou por desativar todas as notificações das redes sociais do celular. “Só vou ver quando lembrar de ver, ou seja, quando tiver tempo sobrando” pensava. E sabia que tempo era algo que raramente tinha, já que trabalhava tanto que quando realmente tinha tempo para si, só queria ficar quietinha na cama prestes a pegar no sono para no dia seguinte repetir tudo outra vez.
O primeiro dia foi um pouco difícil, a vontade de checar as redes sociais era um hábito, e é como dizem, velhos hábitos são difíceis de morrer [old habits die hard]. Mas o chefe decidira dar bastante trabalho para ela nesse dia, então desligar-se de tudo acabou sendo algo automático.
E assim foi durante toda a semana. Não checava mais nem Instagram ou Twitter. Facebook já tinha abandonado uns meses atrás, então não contava. Whatsapp e Kakao apenas para responder alguns amigos e a família, inofensivo.
Porém, no sábado ela se lembrou dele. Já tinha um tempo que não se falavam, ambos muito ocupados, ossos da vida adulta. Mas queria ver o que ele andava fazendo, quais projetos estavam em andamento. Então, quando estava em um barzinho à noite, tendo apenas a si mesma como companheira, mandou uma mensagem para ele, mas a resposta não foi assim tão instantânea e ele parecia disperso. “Ando muito ocupado, então tá difícil responder todas as mensagens, mas quando eu ficar mais de boa poderemos conversar de novo.
Ela entendeu. “Tudo bem, mas saiba que tô com saudades!“. Porém algo fez com que a insegurança batesse à sua porta novamente. E ela, involuntariamente, abriu. A primeira coisa que fez foi checar as redes sociais dele. Foi lendo conversas, vendo fotos, e por fim xeretando em likes que ele dera em outras pessoas. Outras meninas. Olhava as fotos delas, eram lindas, poderosas, apaixonantes. A boca começou a secar e o ar de seus pulmões se esvair. O coração palpitou mais rápido que de costume e ali se instalava um pequeno ataque de ansiedade.  Aquele pequeno clique dos dedos teve o poder de acabar com toda a auto estima que ela vinha construindo nos últimos dias. Pediu uma cerveja no bar e foi para fora para respirar e com sorte, não desmaiar. “Comparação é uma merda.“. Bebeu um gole da cerveja e voltou para o bar. Decidiu dar-se uma pequena chance àquele resto de dia.

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