O ciclo vicioso do bloqueio criativo

Ando sofrendo desse mal agora. Não exatamente aquele bloqueio criativo onde absolutamente nada sai, mas aquele que faz você pensar que as coisas que você faz não são tão boas ou que não tem a ver contigo. É horrível, eu sei. Na real eu não sei dizer o que tá interferindo tanto nisso. Veja bem, anos atrás eu só queria sentar na minha cadeira e ficar no meu cantinho desenvolvendo minhas idéias, independente dos recursos que eu fosse precisar pra isso (se fosse aprender muitas técnicas pra chegar no resultado desejado, se fosse ter materiais melhores, mais aprendizado, etc.) a ideia saía, meio torta aqui e ali, faltando algumas folhas de papel ou algum recurso do Photoshop – anos atrás eu não manjava muito disso, usava o que tinha. Mas hoje parece ser diferente. Não sei se é porque tudo isso hoje na minha cabeça teve que ser levado mais a sério, já que é a base da minha profissão e por isso a pressão (interna, principalmente!) é maior. Aquele sentimento de que tudo deve ser perfeito, sem erros, com técnicas maravilhosamente estupendas, em suma “coisa pra inglês ver” faz perder o brilho que a gente tinha ao criar tudo espontâneamente, talvez a origem do bloqueio seja essa. A pressão pra arranjar um trabalho e ser tão boa é tão grande, tão necessária, mas que consome tanto. Sei lá, coloca a gente num labirinto onde questionamos a nossa própria habilidade que levamos tanto tempo pra desenvolver e apreciar e em questão de segundos já destruimos tudo isso, todo esse esforço. Toda hora eu fico me questionando o por quê de por em prática as ideias que tenho, porque um lado da minha cabeça insiste em me dizer que isso não vai me levar a lugar nenhum e que eu não gosto tanto assim disso. E o pior é que eu me convenço muito facilmente disso. A mente trabalha duma forma assustadora ás vezes. Enfim, o pouco que consigo fazer pra combater isso (é um processo mais árduo do que podem imaginar, cada um tem o seu jeito de lidar com o bloqueio criativo, até porque há inumeras razões que podem originá-lo) é ficar sempre perto do meu sketchbook e das minhas coisas de arte, pra dar uma rabiscada no papel sempre que dá vontade. Só quero (re)aprender agora a me julgar menos.

dsc_0682

Anúncios

O que eu tô fazendo da minha vida???

dsc_0916
Spoiler: nada.
Nada mesmo, apenas sobrevivendo como qualquer outro ser humano milhares de anos atrás nas cavernas. É isso.
Todo mundo fala que nesses casos, quando a gente não sabe o que quer da vida, o ideal é ir tentando fazer o que se gosta, mesmo que seja um hobby apenas. Mas não tá sendo assim.
Eu já tive vários hobbies e interesses, muitos relacionados à arte e letras, mas hoje não é mais assim. Nem sequer consigo me focar em alguma coisa por um longo tempo, porque qualquer coisa do meu lado me distrai, principalmente se essa coisa for o meu celular. E eu não consigo ter prazer fazendo algo que não me interessa muito e que não tem toda a minha atenção.
Fico pensando constantemente o quanto eu mudei muito de alguns anos pra cá; hobbies, ideias, valores, tudo. E ultimamente isso não tá se encaixando com o que eu tenho em mãos para fazer. Porque não condiz mais com quem eu sou, ou com quem eu tô descobrindo ser. Isso vale também para as pessoas que quero ao meu redor e até com as tranqueiras que me rodeiam diariamente no meu quarto. Não sei se cada coisa disso emana uma energia, mas se for isso, ela tá espalhada de um jeito que eu não consigo me localizar em mim mesma. E eu não consigo conviver com algo ou alguém que me incomoda de alguma forma.
Talvez seja o fato de eu conviver com pouquíssimas pessoas ao meu redor, fisicamente não passa de três. Dois deles são invertebrados. O outro vê-se esporadicamente. Então não há aquele contato, aquela inspiração que uma pessoa passa à outra e acaba nesse marasmo todo. Mas não posso cobrar nada de ninguém, porque cada um tem a sua vida e eu não posso fazer todo mundo se encaixar nos meus horários só porque tenho mais tempo livre do que deveria. E acaba o interesse nas pessoas também.
Eu me formei tem pouco tempo, mas com aquele ar de “obrigação”, de “só acabei porque já tava no fim mesmo”, porque talvez não teria continuado se pudesse. Não sei nem como encarar essa área agora daqui pra frente porque não parece ser ela que vai preencher uma parte do meu vazio existencial. Mas não arriscar também é ruim.
Tem dias que eu só queria uma casinha mais ampla, bem iluminada e com pouquíssimas coisas, mas das quais eu gostasse e precisasse bastante. Em outros eu gostaria de estar nas montanhas vendo o outono chegar e fazer a minha arte como de costume. Num último caso queria estar numa cidade bem movimentada e cheia de informação para ficar deslumbrada com tudo aquilo. Mas no final das contas só estou num pequeno quartinho silencioso (às vezes) tentando organizar incessantemente tudo ao meu redor e torcendo para a minha estante não despencar na minha cabeça enquanto durmo.
Motivação que falta pra esse lado de cá. Houve um tempo em que eu fui cercada de várias coisas das quais gostava, mas agora não gosto mais de nada disso, então tenho que descobrir tudo outra vez do que gosto, do que não gosto e não deixar sensações momentâneas interferirem nisso, mas não é uma tarefa fácil, tampouco curta. Tudo acaba caindo num longo ciclo vicioso, e parece não ter uma saída, pelo menos não uma muito visível. Só me resta saber lidar com ela e tentar bolar um plano melhor daqui pra frente. Mas para mim mesma, não para mãe ou pai, ou amigos. Porque eles são eles, não são iguais a mim (graças aos céus!) e a única pessoa que sabe o que é bom pra mim sou eu mesma, mais ninguém.
Agora só quero saber quanto tempo vou ter que aturar disso tudo, porque o tempo passa e eu, como uma péssima motorista sem habilitação não tenho o controle dele de forma alguma, principalmente se for pro meu benefício.

P.S.: É bem provável que eu vá escrever mais sobre isso em breve, a tortura ainda não acabou.

Sei lá o que é…

Nesse exato momento, às 03:09 da manhã eu estou sendo multitasking e rabiscando no sketchbook ao mesmo tempo que escrevo isso. Nem sei porque tô fazendo isso, só me deu um pouco de vontade. A realidade é que eu venho tentando de várias maneiras externar o que está espremido, implodindo na minha cabeça mas eu nem fazia ideia de como fazer isso. Aliás tô é atirando pra tudo quanto é lado: desabafando um pouco nos posts não-tão-sutis-ou-discretos no facebook, reclamações explícitas no twitter, lamúrias desconexas no tumblr e uma enxurrada de lágrimas no caderninho de cabeceira do lado da minha cama. Se você esperava que esse texto fosse sobre um grupo no qual talvez você se identifique, enganou-se. Isso é sobre mim e para mim. Mas não impede que você se identifique de alguma forma. Ou algum amigo ou amiga sua. Prossigamos.
Desde que eu cheguei totalmente atordoada ao Brasil ano passado, eu não conseguia de forma alguma voltar à vida normal, porque por alguma razão (eu sei o motivo, é que são muitas coisas) eu não me encaixava mais no tipo de vida que eu levava antes de partir. A maioria das pessoas que eu conhecia não cabiam na minha vida mais, e provavelmente nem eu na delas. É um saco concluir isso, mas é a verdade. Eu não me sinto nem um pouco culpada em clicar no “desfazer amizade” do perfil do Facebook de alguma pessoa porque eu já não sinto mais aquela conexão com ela. Talvez eu nunca tenha sentido, só a mantinha ali por meras formalidades, mas não quero mais essas formalidades, até porque formal é algo que eu não sou e nem desejo ser.
Outra coisa é justamente o resultado disso, a falta de pessoas. Consequentemente elas vão sumindo da minha vida. Fazer o quê né? Acontece. Mas dói um pouquinho saber que nunca fiz tanta importância assim na vida delas, de alguém que você talvez tenha se doado tanto. Mas se eu tô deletando esse povo todo, é porque o sentimento é mutuo, o sentimento de não me importo tanto assim contigo. Mas okay, vida que segue. Frase que faço questão de sempre lembrar.
O fato é que eu apenas queria alguém aqui do meu lado como uma amiga pra todas as horas, uma bff mesmo. Não me entenda mal, ter bffs virtuais é ótimo, eu amo todas elas. Mas para uma pessoa extremamente insegura e introvertida como eu, isso não basta. Não é a toa que os meus demônios datados de 2005 ainda permanecem aqui depois de um período de férias enquanto eu estive fora. Não é fácil lidar com esse turbilhão já que tudo o que vivi lá fora entra em conflito com o que eu sempre fui por condição social. A vontade de destruir essa condição social é muito grande, mas o medo e a incerteza também é. Do quê? Não sei, de tudo e de nada ao mesmo tempo. Tudo e nada fazem sentido ao mesmo tempo. É incrivelmente bizarro como eu consigo ser contraditória comigo mesma. Eu quero conhecer pessoas mas não sei como estando sozinha – São Paulo não foi feita pra fazer amigos, aqui é tudo puro business – mas a minha zona de conforto que é ficar de pijama e pantufas brancas em casa jogando The Sims 4 me puxa pra não fazer essas coisas, porque ela quer me convencer de que ficar em casa é muito melhor. Eu gosto dos dois, mas assim fica difícil. A falta de confiança nas pessoas contribui pra essa preguiça interna também, não é nada fácil pra alguém como eu confiar nas pessoas. Você pode ser a pessoa mais legal do mundo comigo mas eu ainda vou ficar com um pé atrás por um bom tempo mesmo, coisa de anos provavelmente, dependendo da nossa convivência.
Eu disse no título que esse texto seria desconexo, até porque eu mesma perdi o fio da meada, escrevi tudo duma vez mesmo, enquanto cantava algumas musicas coreanas e fazendo a coreografia delas mesmo estando sentada na cadeira. Multitasking.
A propósito nem comecei o desenho.