As luzes de Osaka

Tokyo era incrível, mas infelizmente eu não aproveitei o quanto gostaria, principalmente depois dos ataques de ansiedade, ainda estava com pé atrás. Mas fiquei ainda mais nervosa quando o dia de ir pra Osaka estava chegando.
Não, não era medo da cidade nem nada. Mas é que em Tokyo era o único lugar onde eu conhecia alguém e caso me acontecesse algo, eu poderia contar. Mas em Osaka eu estaria completamente sozinha e dependente de mim mesma e da boa vontade dos outros.
Ainda assim, tive que partir.
Pela primeira vez peguei o Shinkansen (o famigerado trem-bala), e aproveitei o tempo para curtir a viagem, relaxar um pouco, ficar no meu cantinho e apenas observar – que é o que eu acho que faço de melhor. Os trens tem um horário certinho para passar, então eu descolei uma tabela dos horários deles para me orientar (sério, melhor aquisição da viagem, apesar de ser dificil de usar no inicio).
Cheguei em Osaka no meio da tarde mais ou menos, e segui direto para o meu hostel. Uma coisa boa era que o hostel em que eu fiquei era infinitas vezes melhor que o de Tokyo e mais bem localizado, além de ser um hostel feminino e os quartos serem bem melhores, mas as camas continuaram sendo um futon em beliches!!!
Botei na minha cabeça que o resto daquela viagem iria ser incrível, então me esforcei para isso.
Fiquei na região de Minami, bem pertinho da rua Dotonbori e da estação de metrô Namba, uma região bem badalada e iluminada, um distrito muito visado para compras e comida. Falando em comida, jantei um takoyaki maravilhoso em Dotonbori, tava morrendo de saudades de comidinha de rua, algo que não fosse de lojinha de conveniencia e esquentado no microondas.
Por incrível que pareça, apesar de ser um lugar bem movimentado, eu me senti bem confortável e de boas, mesmo estando sozinha, pois pude ver tudo o que gostaria no meu tempo e ritmo.
O hostel era bem mais agradável do que o que eu tinha ficado anteriormente, além de ele ser um hostel feminino. Conheci lá a Silvia, uma italiana de ascendência chinesa que estava fazendo sua volta ao redor dos continentes antes voltar pra casa e retomar os estudos. Sua próxima parada seria o Havaí, infelizmente no dia seguinte, mas pelo menos pudemos conversar bastante na noite anterior. Acho que essa é uma das coisas boas de viajar sozinho, as pessoas têm bem menos medo de aproximar de você pra começar uma conversa ou uma amizade, até porque é bem menos intimidador. Foi assim que fui começando a gostar um pouco da solidão em terras realmente estrangeiras.

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Asakusa Sensoji & Tokyo Tower – [Japão]

Enquanto estive de molho no hostel, procurei alguns lugares menos comerciais pra visitar (leia-se sem ser um shopping center ou algo do tipo). Um dos mais recomendados era o Asakusa Sensoji Temple, perto da estação de Asakusa, que na real me levou um tempinho até descobrir como chegar lá sem gastar o dobro de passagens já que eram linhas diferentes (até hoje não entendi direito!).
O Sensoji Temple é o mais importante e antigo de Tokyo, construído em 645 d.C. e apesar de ter sido destruído pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, foi reconstruído, simbolizando o renascimento para os japoneses.
Na entrada damos de cara com uma lanterna gigante e linda, conhecida como Kaminarimon e embaixo dela há um dragão esculpido em madeira.
Em seguida há a Nakamise-dori (仲見世通り), uma rua com aproximadamente 250 metros de comprimento que possui 89 lojinhas de lembrancinhas, comidas e variedades, em sua maioria relacionadas com o templo e a cultura japonesa (foi lá onde comprei vários postais ❤ ). No caminho encontrei uma excursão escolar (creio que do ensino fundamental), muitos turistas (sério!) e muitas mulheres vestindo yukata, uma vestimenta tradicional japonesa muito parecida com o kimono, de cores claras e estampas florais, apropriada para o verão.
Na frente do templo havia um caldeirão de incenso, onde as pessoas se purificavam antes de entrar no templo. Lá dentro havia também os omikuji (sortes aleatórias escritas em papel) que podiam ser retiradas depois de uma pequena oferenda.
O templo é realmente incrível. Mesmo eu não sendo budista nem nada, a arquitetura dele me impressionava, além das cores vibrantes e das pinturas no teto e nas paredes. Apesar de ter muita gente lá, eu me sentia em paz, muito melhor do que nos dias anteriores.
Ao lado do templo há um jardim japonês, que aparentemente poucas pessoas se interessaram em visitá-lo. Por sorte eu precisava de um lugar pra sentar um pouco (e lanchar) e o encontrei. Além disso havia uma construção menor, onde uma mulher se arrumava para um ritual ou evento, mas não descobri qual era.

No dia seguinte fui encontrar uma amiga brasileira que já morava lá há um ano. Demos uma volta em Akihabara, principalmente em um prédio que havia muitas coisas para fãs de anime, mangá e cosplay. Fiquei tentada em comprar uma roupa de colegial colorida mas não o fiz. Hoje me arrependo. Se eu não me engano, naquele mesmo prédio também funcionava um café do AKB48 ou algo do tipo, mas não estava aberto.
Depois fomos jantar e em seguida partimos para a Tokyo Tower. Em toda cidade que visito gosto bastante de ir em lugares bem altos para apreciar a vista. Acabou meio que virando uma espécie de ritual, mas eu gosto de ter um overview das coisas, fora que a vista do alto é sempre incrível.

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Appreciation post – Koenji-ku, Tokyo

Esse é um post apenas voltado para a apreciação visual. Puramente. Mas eu vou escrever um pouco também.
Koenji-ku foi o bairro onde eu fiquei durante a minha estadia em Tokyo. Pra ser sincera eu não sei nada sobre o local, fiquei no hostel que alguns amigos me recomendaram. Mas pra ser sincera? Eu achei o local super agradável e inspirador. Ele tem aquele visual saído das páginas de um mangá e nada a ver com os locais super turísticos e abarrotados de estrangeiros (como eu, rs.). Não gosto muito de muvuca, de multidão, então andar por esse local durante o meu dia vago (na real eu estava meio doente então não conseguia ir muito longe) foi bem gratificante e relaxante. Andei por varias lojinhas numa rua coberta, perto do metrô, inclusive encontrei uma cheeeeia de coisas da Sailor Moon (amo!), levei um jogo de hashis pra casa que estavam muito lindos e alguns presentes pras amigas.
Foi um passeio bem agradável, gosto bastante de andar a esmo por aí, sem pressa nenhuma, porém com lenço e documento né.

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Cores de Harajuku [Viagem ao Japão]

Essa semana (quando eu redigi esse post ainda era julho rs) fez 1 ano em que eu estive no Japão, então decidi escrever sobre essa viagem aqui (por motivos de nostalgia pura!)

Como eu disse no post anterior, essa foi a viagem mais conturbada que eu tive por causa da ansiedade. Mas isso não quer dizer que não houveram momentos legais.

Cheguei em Tokyo no final da tarde e fui direto para o meu hostel deixar a mala e procurar alguma coisa para comer, já que eu estava faminta. Eu não sei dizer o que exatamente era isso, mas tinha carne no meio e um molho muito gostoso, fora que o preço era bom, então foi o que eu acabei comendo durante quase toda a minha estadia lá haha!

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No dia seguinte foi dia de visitar Harajuku, o bairro fashion-friendly de Tokyo. No começo eu me sentia meio perdida lá, porque não parecia muito com o que eu tinha visto na internet, mas aí eu descobri que estava numa outra parte de Harajuku, perto da Omotesandou, uma avenida cheia de boutiques e lojas caras. Lá encontrei uma pequena loja/café temática de coelhos, imagina se eu não enlouqueci lá, né? E as atendentes eram muito fofas e atenciosas e me deixaram tirar fotos da loja ❤
Também encontrei uma lojinha em que você cria a sua própria joia. Há vários tipos de pedras, correntes, pingentes e mais para você montar seu colar, anel, pulseira, chaveiros, etc. A minha virou uma pulseira inspirada no mar.
Depois de chegar numa outra avenida, parei em um Starbucks pra comer alguma coisa no meio da tarde, já que tava morrendo de fome. A moça do caixa foi super fofa comigo e conversamos um pouco, coisas básicas, tipo de onde eu era e quanto tempo ficaria no Japão, se eu estava gostando de lá, etc. E quando peguei meu copo, ele veio assim.
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Do outro lado da rua estava a Rua Takeshita, agora sim, o lado pop e colorido de Harajuku, com milhares de lojas extremamentes coloridas, com roupas bem extravagantes e chamativas nos manequins e penduradas na entrada das lojas, além de muitos acessórios exclusivos. Ouvi falar em algum lugar que não era permitido tirar fotos das lojas de lá, mas não tenho certeza se isso é verdade ou não, embora quando fui na loja da Disney lá, haviam várias placas dizendo que era proibido tirar fotos. A rua em si eu acho que não há problemas.

Como era dia de semana, não estava tão cheio e nem tinha muita gente “a caráter”, embora eu tivesse visto várias meninas vestidas de lolita e gothic lolita pelo caminho. No final de semana é bem mais cheio, mas infelizmente eu já não estaria mais em Tokyo pra voltar lá.

Este post foi bem curtinho porque não passei muito tempo em Harajuku, mas foi o suficiente pra me cativar e me fazer querer voltar várias vezes! ❤
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Quando a ansiedade bate no meio da viagem

Infelizmente isso aconteceu. Quando eu estava a alguns poucos dias de ir finalmente para o Japão, comecei a sentir umas leves pontadas no peito e dificuldade pra respirar. Não dei muita bola, já que estava preparando tudo para a viagem e para mudar de apartamento (tinha que levar algumas coisas pra lá antes de viajar). Porém quando cheguei em Tokyo foi um desastre. Na verdade ainda no voo, apesar de ser apenas 2 horas de voo entre Seul e Tokyo, foi tempo suficiente pra eu começar a passar mal e não saber o que fazer sendo que eu não sabia direito o que estava acontecendo. Eu, muito introvertida, não falei nada para ninguém no avião e fui aguentando isso só. Porém estava com esperanças de pisar em terra firme e essa sensação passar, já que parte dela era fome, tinha ficado muito tempo sem comer por causa da correria.
Dito e feito.
Ficar me movimentando era bem melhor do que ficar parada e sentada no avião. Porém outro dilema: tinha que pegar um ônibus do aeroporto até Tokyo Station, para aí eu ir até o hostel. O motorista foi muito gentil, cumprimentando a todos que entravam no ônibus calorosamente. Eu me senti melhor assim e sentei bem na frente, perto da porta. Mas aí o mal estar começou novamente, só que o meu corpo todo começou a formigar e eu não sabia o que tava acontecendo. Mais 1 hora de viagem até Tokyo Station. Só queria chegar logo no hostel. No caminho tive várias pessoas que me ajudaram, desde o guarda do metrô que me ajudou a achar o caminho certo pro meu destino até o menino que me perguntou (em inglês!!!) se eu precisava de ajuda e mesmo eu estando bem perto do meu hostel, ele foi comigo até a porta. Muito fofo ❤

I was so happy…~ #Japan #Tokyo #TokyoStation

Uma foto publicada por 모나 (@hasenmona) em Jul 1, 2015 às 10:34 PDT

O mal estar causado pela fome passou depois que comprei algo pra comer na lojinha de conveniência no final da rua, mas no dia seguinte a história foi outra. Logo quando eu acordei comecei a me sentir mal, sem respirar direito e achando que algo muito sério estava pra acontecer. Queria muito sair da cama e ir ver a cidade, aproveitar o pouco de férias que tinha restante, mas estava com tanto medo de passar mal no meio da rua e não saber o que fazer nessa situação que acabava ficando no hostel mesmo, por segurança. Nesse meio tempo eu falava constantemente com os meus pais pela internet. O que me ajudou muito foi isso: falar com eles e saber que isso que tava acontecendo comigo não era tao sério (ou seja, eu não tava de fato morrendo, tendo um ataque cardíaco como achava que estava)  quanto eu pensava e aos poucos a ansiedade foi passando e eu fui conseguindo controlá-la. O que eu queria era aproveitar o meu tempo lá, já que na Coreia, o estagio me aguardava. Confesso que a hospedagem não ajudou, já que as camas não eram confortáveis (eram futons em beliches) mas pelo menos a região em que o hostel estava era agradável e boa pra ver o dia a dia das pessoas. Eu tive também a ajuda de uma brasileira que conheci lá, era bom ter uma conterrânea por perto, pra me mostrar um pouco da cidade e do dia a dia no Japão. Mesmo ela me dizendo que hospital no Japão é caro, ainda mais pra estrangeiros que não tem nada além do visto de turista lá. É nesses casos que um seguro saúde serviria muito bem. Aliás é pra isso que ele serve mesmo. Ela me recomendou também telefonar para a embaixada brasileira. Eu acabei não fazendo isso porque sou teimosa e honestamente tinha um pinguinho de esperança de que isso passasse logo. Mas é altamente recomendável ter o telefone deles no país em questão nos seus contatos, afinal nunca se sabe né. E o que eu fiz? Como eu não tinha assistência médica nenhuma lá, o jeito foi tentar me convencer de que lá fora não seria tão ruim como eu pensava, na verdade seria muito melhor do que se eu ficasse numa cama desconfortável embaixo do ar condicionado me culpando (sim, eu me sentia assim, afinal tinha investido muito nessa viagem). Eu estava em um país diferente, então o mínimo que eu podia fazer era aproveitar um pouco daquilo. Foi muito importante pra mim também ter apoio dos meus pais e dos meus amigos, mesmo estando longe deles. Apoio é tudo. Outra coisa que ajudou também foi o fato de o Japão ser um país seguro, de que não precisa ter medo de andar na rua durante o dia ou à noite. Isso foi me deixando mais confortável também. Mas atenção: isso foi uma medida temporária, eu não sabia lidar com aquilo que estava acontecendo e essa foi a saída que achei. O ideal é procurar um médico logo assim que você voltar de viagem. Manter-se hidratado e bem alimentado pode parecer irrelevante dizer, mas ajuda muito nessas situações. Eu sempre carregava comigo uma garrafa d’água e outra de pocari sweat (um tipo de gatorade de lá) e algumas coisas para beliscar na rua. Se for difícil ir para lugares muito distantes, por medo de algo aconteça enquanto se está longe do hostel, o ideal é dar uma volta no bairro onde você está ficando, para se acostumar com um pouco da cidade e também para não ficar sempre dentro de algum estabelecimento fechado. Pra mim, estar ao ar livre ajuda pra caramba nessas crises. O mal estar foi melhorando ao longo dos dias quando eu estava de partida para Osaka, apesar de estar com um pouco de medo de passar mal por lá, ja que lá eu nao ia ter nenhum conhecido por perto. Aí eu teria que me virar. A sorte foi que as minhas expectativas para Osaka estavam altas e eu ficaria mais focada na viagem, me fazendo deixar a ansiedade um pouco de lado, o que é bom também. Distrações são boas nesse caso. Por isso quando for viajar, é bom sempre ter conexão fácil com a internet, caso você esteja viajando só. Assim caso precise conversar com alguém, pedir ajuda, vai ficar mais fácil. Outra coisa: fazer amizades no hostel também é muito bom. Quem sabe você não descola uma companhia pra passear contigo durante os dias da sua viagem? Além de ganhar um novo amigo ou amiga, não passa a viagem toda só. Em tempos de ansiedade, é sempre bom ter um ombro amigo, mesmo que a sua intenção, inicialmente, seja viajar sozinho. Caso tenham uma experiência similar ou dúvidas, não deixem de postar nos comentários! Ajuda é sempre bem vinda! 😀

Uma foto publicada por 모나 (@hasenmona) em Jul 8, 2015 às 2:10 PDT

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Onde há montanha, há praia

Sim, é verdade! Pelo menos em Sokcho.
Depois da missão cumprida que foi subir o Seoraksan, o dia melhorou as caras pras fotos e deixou o céu azulzinho pra combinar com o mar. Foi um dia mais quente, mais agradável pra passear e tirar bastante fotos antes de encarar 3 horas de viagem.
Nesse dia custamos a encontrar o farol pra podermos ver a cidade toda de cima (mais uma montanha pra subir!!!) mas valeu a pena. A vista lá de cima é maravilhosa. Aliás, a costa fica bem ali do lado e dá para ir no pedral e fazer várias fotos bacanas, relaxar ou pescar, como vários coreanos fazem. Na verdade só apenas 2km da costa é de praia com areia branca, o resto ali na cidade está cheio de barreiras, creio que devido às fortes ondas na região e também por ser uma área principalmente voltada para a pesca.
Foi meio difícil andar no meio das pedras, acho que é uma característica comum nas praias coreanas, já que em uma parte da costa em Busan também tinham muitas pedras (mas isso vai ficar pra outro post).
Esse dia resumiu-se a apenas andar, apreciar o dia e tirar milhares de fotos antes de voltar à rotina e encarar a chegada do inverno.
Para subir no observatório do farol:
8-28, Yeonggeumjeong-ro 5-gil, Sokcho-si, Gangwon-do
강원도 속초시 영금정로5길 8-28 (영랑동)
É aberto o ano todo, do nascer ao por-do-sol

E qual é o seu lugar favorito? A praia ou as montanhas? 😀

Você já subiu uma montanha?

Eu nunca, até então.
No outono, em meados de outubro, eu e mais alguns amigos decidimos ir até Sokcho (속초), no leste da Coreia porque lá, além de ter uma montanha muito famosa onde os coreanos adoram ir para fazer hiking e passar o fim de semana, nessa montanha o outono parecia ainda mais exuberante, folhas alaranjadas e avermelhadas para todo lado. É tão gostoso esse período de pré-inverno!
No primeiro dia nós tiramos para conhecer o porto e andar pela cidade. Apesar do dia chuvoso e frio, não foi desagradável. Cada casinha na beira da praia tinha o seu charme, estando nublado ou ensolarado, as vezes ficava pensando como seria morar em alguma delas (até hoje faço isso!).

No dia seguinte fomos para o Seoraksan National Park. Alguns dados:
-É a terceira montanha mais alta da Coreia, com 1,708 metros de altura
– Tem uma formação rochosa única na área, chamada Ulsanbawi (울산바위). Pra alcançar esse local, você deverá seguir uma trilha e escalar, dando 888 passos, segundo os moradores locais.
– No caminho há também uma rocha enorme de 5 metros de altura chamada Heundeulbawi (흔들바위), onde todo mundo tenta empurrá-la mas não consegue de jeito nenhum.

Subir uma montanha foi mais fácil e prazeroso do que eu pensei, principalmente pra uma pessoa tão sedentária como eu. Mas a verdade é que a trilha é bem gostosinha de subir e também paramos várias vezes pra tirar fotos, assim como todos os coreanos ali presentes (haha!)

Lembro-me que no caminho para o parque, vi da janela do ônibus um moço estrangeiro carregando um menino de mais ou menos 3 anos de idade nas costas + a malinha deles. Aí, um tempo depois, lá no meio da montanha, quando paramos pra fazer um lanchinho, vi de novo esse moço com o menino lanchando lá também. Creio que ele fez o percurso todinho com o menino nas costas!

Há dois pontos altos na montanha, porém o mais alto deles levaria mais de um dia de caminhada, além de ser indicado para experientes, e não turistas como nós.

Há dois templos localizados nessa montanha: o Sinheungsa Temple (신흥사) e o Baekdamsa Temple (백담사). O primeiro fica na base da montanha, logo na entrada e tem uma estátua do Buda enorme onde todo mundo tira foto. É um templo bem antigo, fundado em 652 D.C. A estátua, terminada em 1997 representa o desejo das pessoas para a reunificação das Coreias, além disso, nessa região há muitas pessoas oriundas e descendentes de norte-coreanos, já que Sokcho já fez parte da Coreia do Norte antes da separação.
E o segundo templo fica dentro da área da montanha, ao contrário do Sinheungsa, que fica do lado de fora. Foi construído originalmente no século 7, mas foi reconstruído várias vezes por causa de guerras e desastres naturais. O nome também mudou várias vezes, o atual significando “100 buracos do pico de Daecheongbong até o templo” (P.S.: 100(cem) em coreano é baek – 백)

Ao longo do trajeto vimos várias pedrinhas empilhadas, algumas em pontos bem fáceis, como na beira das trilhas, e outras em pontos praticamente inacessíveis, como em cima de um rochedo na beira do rio. Reza a lenda que essa pilha de pedrinhas foram feitas por crianças que já morreram e tentam estabelecer contato com os seus pais que estão vivos.

Fizemos o trajeto todo (subir e descer) em 2~3 horas, e de lá seguimos de volta para a cidade. Não sei quais ônibus recomendar para chegar lá porque não pegamos do terminal e sim de um ponto de ônibus perto do nosso hostel. Mas no terminal intermunicipal de Sokcho (Sokcho Intercity Bus Terminal) há várias linhas que vão até o Seoraksan.

P.S.2.: A Loma do Sernaiotto também tem um post bem legal sobre Sokcho, dá uma olhadinha lá!

DSC_0002DSC_0003DSC_0016DSC_0025DSC_0027DSC_0046DSC_0053passeando por aí encontramos essa casa… será que alguém mora aí??DSC_0060DSC_0061DSC_0063tão novo e já no ramo da fotografia… gracinha! :3DSC_0081DSC_0083DSC_0084DSC_0085DSC_0090DSC_0092DSC_0096DSC_0098DSC_0103-2DSC_0113DSC_0119DSC_0121DSC_0124DSC_0126DSC_0132DSC_0157DSC_0163DSC_0173DSC_0190DSC_0192DSC_0200DSC_0206DSC_0236DSC_0251DSC_0275DSC_0290DSC_0291DSC_029620141010_132443um inglês meio estranho mas válido: “Nem tudo vai de acordo com os meus desejos, é por isso que a minha vida é tão divertida!”

Mas calma aí que logo mais tem mais post sobre Sokcho e dessa vez vamos para a praia! 😉

Lugares (nem tão) perdidos

Serendipity significa descobertas agradáveis feitas por acaso. Embora esse lugar que eu estive não foi exatamente descoberto por acaso, foi algo agradável. Eu era uma recém chegada à Coreia, igual aos meus amigos; tanto os amigos brasileiros quanto vários dos amigos estrangeiros, então tudo era motivo pra sair e explorar.
Nesse dia, fui convidada por três amigas da Rússia a ir para o centro de Seul, em Bukchon Hanok Village, uma vila tradicional perto de Anguk station.
Cada coisinha em seu devido lugar, delicadamente. Era assim em cada lojinha que entramos, em cada casinha que vimos por fora. Não era dificil se imaginar um personagem de época nessa vila. Entretanto, acontece que muitas dessas casinhas não são habitadas, mas são patrimônio público ou são lugares com atividades culturais, como museus e pequenas escolas de artesanato e diversos workshops, principalmente voltado à caligrafia coreana, carpintaria e dobraduras, além também de casas de cerimônias do chá. Mas ainda há pessoas que moram por lá, por isso fazer silêncio e manter a limpeza é essencial para a preservação da vila.
A vila tem por volta de 600 anos e fez parte da Dinastia Joseon, a última dinastia na Coreia e a mais longa (de 1392 a 1897).
O mais curioso era o contraste que a vila fazia com os prédios modernos de Seul ao redor, realmente o passado e o presente ficam lado a lado na Coreia, e não é só em Bukchon que se pode notar isso, há mais lugares assim. *segredo*
Eu fico curiosa pra saber o que tem por trás de cada portão de cada casinha, quanta cultura deve ter escondidinha por lá, não? ♥
Qual lugar da vila você mais gostou? Deixe nos comentários a sua opinião 🙂

Como chegar lá:
De metrô (meio mais fácil): pela estação Anguk, saída 3

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Lojinhas de souvenires! As minhas favoritas
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Haviam também lojinhas locais de roupas com estilos bem variados

A necessidade de entregar-se ao desconhecido de vez em quando

Psiu! Ouça essa música enquanto lê o texto. Vai gostar, tenho certeza 😉

De vez em quando sair da zona de conforto é bom. É clichê falar isso, mas é verdade. Ainda mais para as pessoas que são inseguras em relação a um monte de coisas que aconteça na vida delas, na maioria das vezes por puro medo do desconhecido. Eu posso afirmar porque sou esse tipo de pessoa, mas muitas coisas aconteceram desde o começo do ano passado pra cá.
Conhecer pessoas é uma coisa incrível. Não tem nada melhor que trocar experiências, gostos e desgostos e aventuras. Acho que posso dizer que de lá pra cá foi a época em que eu mais conheci gente e me surpreendi. Muitos estereótipos em relação a nacionalidades foram quebrados, amizades feitas, algumas pessoas de passagem mas que deixaram lembranças legais. Algumas que eu não vou ter contato (nunca) mais. Prefiro por o nunca entre parênteses porque não se sabe. Ainda tenho pequenas esperanças.
Eu passei a maior parte do meu tempo e da minha adolescência basicamente sem amigos próximos. Tinha os colegas da escola e tal, mas era aquilo mesmo: só conversávamos na escola. Mas na internet eu conhecia mais gente que tinha muito mais gostos em comum do que na vida real. E uma dessas pessoas é hoje uma parte muito especial da minha vida e que eu tive a sorte de poder embarcar numa viagem e conhecê-la pessoalmente. Dá um friozinho na barriga voar mais de 9000km pra encontrar alguém cara a cara pela primeira vez mas talvez seja isso que deixe o abraço mais apertado e duradouro. Foi o inverno mais incrível que eu já tive, e a semana mais agradável com alguém. Tempos mais tarde ela me disse que estava com medo desse encontro porque eu poderia ter outras expectativas em relação à ela. Mas acho que o segredo é não ter expectativa nenhuma sobre nada. O friozinho na barriga vai continuar lá, a ansiedade também, mas a surpresa vai ser isso: surpresa, que talvez seja o que nos motiva a mergulhar de cabeça nessa jornada que é o autoconhecimento.
Nesse último ano, cada cidade que eu visitei ficou marcada por alguma pessoa que eu conheci. Pessoas legais e mesmo nem todas sendo nativas do país em que estávamos, elas sempre tinham algo interessante a compartilhar, seja sobre o passado no país natal ou o presente no país atual.
Eu vou sentir falta delas, na verdade já estou sentindo. Mas quando você sai em uma jornada e conhece gente bacana, elas te motivam, de alguma forma, a aventurar-se por aí ainda mais.
O que sempre resulta em algo incrível.
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Depois de um bate papo agradável no com a atendente do Starbucks em Harajuku, recebi o meu copo assim 🙂

Quatro em um na terra do sol da manhã

Queria escrever um pouquinho sobre um lugar que foi (e ainda é) muito mágico pra mim.
Em cada estação era tudo diferente e surpreendente. A paleta de cores também mudava a cada três meses.
Reuniões no lago com os amigos, seja para festejar alguma coisa, um ponto de encontro ou simplesmente tomar um sorvete depois do almoço entre o intervalo de uma aula e outra.
Árvores amarelas, laranjas, vermelhas e marrons durante o outono, festivais onde todo mundo virava a noite e via a diferença do contraste das folhas com o céu da manhã.
Lugar da primeira neve, quinze minutos antes das portas do dormitório fecharem, ainda assim haviam várias pessoas animadas com a neve e, mesmo de pijama, brincando até o ultimo minuto.
Nos primeiros dias de abril, as flores cor-de-rosa timidamente aparecendo e dentro de duas semanas o campus transformara-se num mar cor-de-rosa cuja vista do décimo oitavo andar deixava tudo ainda mais mágico e mais parecido com um episódio do clube das Winx.
O verde começou a aparecer no verão e com ele o céu azul e as noites quentes, uma desculpa para ficar na rua até mais tarde e andar pela cidade de bicicleta de uma estação à outra.
Passei a maior parte do meu tempo nesse campus durante o meu intercâmbio na Coreia do Sul, e de uma coisa eu tive certeza: se as fadas existem, elas moram lá. Fico pensando se encontraria uma, mas para isso eu precisaria voltar.

Quem sabe.

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DSC_0037Essa foto na verdade é numa praça na cidade, não no campus. Mas eu a achei tão bonita que quis por aqui~
DSC_0190Festa do dormitório

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Um dos meus últimos dias no campus

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